SÃO PAULO POR WASHINGTON OLIVETTO

Alguns dos meus queridos amigos cariocas têm mania de achar São Paulo parecida com Nova York.

Discordo deles. Só acha São Paulo parecida com Nova York quem não conhece bem a cidade. Ou melhor, quem a conhece superficialmente e imagina que São Paulo seja apenas uma imensa Rua Oscar Freire.

Rua Oscar Freire - Vitrines Outono-Inverno 2007
Na verdade, o grande fascínio de São Paulo é parecer-se com muitas cidades ao mesmo tempo e, por isso mesmo, não se parecer com nenhuma.
São Paulo, entre muitas outras parecenças, se parece com Paris no Largo do Arouche, Salvador na Estação do Brás, Tóquio na Liberdade, Roma ao lado do Teatro Municipal, Munique em Santo Amaro, Lisboa no Pari, com o Soho londrino na Vila Madalena e com a pernambucana Olinda na Freguesia do Ó.
 
 
 

 

Minha São Paulo

São Paulo é um somatório de qualidades e defeitos, alegrias e tristezas, festejos e tragédias. Tem hotéis de luxo, como o Fasano, o Emiliano e o L’Hotel, mas também tem gente dormindo embaixo das pontes. Tem o deslumbrante pôr-do-sol do Alto de Pinheiros e a exuberante vegetação da Cantareira, mas também tem o ar mais poluído do país. Promove shows dos Rolling Stones e do U2, mas também promove acidentes como o da cratera do metrô e o do avião da TAM em Congonhas.

 
 
 

 

SPA - O Sol finalmente chega
São Paulo é sempre surpreendente. Um grupo de meia dúzia de paulistanos significa um italiano, um japonês, um baiano, um chinês, um curitibano e um alemão.
São Paulo é realmente curiosa. Por exemplo: tem diversos grandes times de futebol, sendo que um deles leva o nome da própria cidade e recebeu o apelido “o mais querido”. Mas, na verdade, o maior e o mais querido é o Corinthians, que tem nome inglês, fica perto da Portuguesa e foi fundado por italianos, igualzinho ao seu inimigo de estimação, o Palmeiras. São Paulo nasceu dos santos padres jesuítas, em 1554, mas chegou a 2007 tendo como celebridade o permissivo Oscar Maroni, do afamado Bahamas.
 
 
 

 

São Paulo
São Paulo já foi chamada de “o túmulo do samba” por Vinicius de Moraes, coisa que Adoniran Barbosa, Paulo Vanzolini e Germano Mathias provaram não ser verdade, e, apesar da deselegância discreta de suas meninas, corretamente constatada por Caetano Veloso,
produziu chiques, como Dener Pamplona de Abreu e Gloria Kalil.
São Paulo faz pizzas melhores que as de Nápoles, sushis melhores que os de Tóquio, lagareiras melhores que as de Lisboa e pastéis de feira melhores que os de Paris, até porque em Paris não existem pastéis, muito menos os de feira.


Em alguns momentos, São Paulo se acha o máximo, em outros um horror. Nenhum lugar do planeta é tão maniqueísta.
São Paulo teve o bom senso de imitar os botequins cariocas, e agora são os cariocas que andam imitando as suas imitações paulistanas.
São Paulo teve o mau senso de ser a primeira cidade brasileira a importar a CowParade, uma colonizada e pavorosa manifestação de subarte urbana, e agora o Rio faz o mesmo.
São Paulo se poluiu visualmente com a CowParade, mas se despoluiu com o Projeto Cidade Limpa. Agora tem de começar urgentemente a despoluir o Tietê para valer, coisa que os ingleses já provaram ser perfeitamente possível com o Tâmisa.

Mesmo despoluindo o Tietê, mantendo a cidade limpa, purificando o ar, organizando o mobiliário urbano, regulamentando os projetos arquitetônicos, diminuindo as invasões sonoras e melhorando o tráfego, São Paulo jamais será uma cidade belíssima. Porque a beleza de São Paulo não é fruto da mamãe natureza, é fruto do trabalho do homem. Reside, principalmente, nas inúmeras oportunidades que a cidade oferece, no clima de excitação permanente, na mescla de raças e classes sociais.
São Paulo é a cidade em que a democratização da beleza, fenômeno gerado pela miscigenação, melhor se manifesta.
São Paulo é uma cidade em que o corpo e as mãos do homem trabalharam direitinho, coisa que se reconhece observando as meninas que circulam pelas ruas. E se confirma analisando obras como o Pátio do Colégio (local de fundação da cidade), a Estação da Luz (onde hoje fica o Museu da Língua Portuguesa), o Mosteiro de São Bento, a Oca, no Parque do Ibirapuera, o Terraço Itália, a Avenida Paulista, o Sesc Pompéia, o palacete Vila Penteado, o Masp, o Memorial da América Latina, a Santa Casa de Misericórdia, a Pinacoteca e mais uma infinidade de lugares desta cidade que não pode parar, até porque tem mais carros do que estacionamentos.
São Paulo não é geograficamente linda, não tem mares azuis, areias brancas nem montanhas recortadas. Nossa surfista mais famosa é a Bruna, e nossos alpinistas, na maioria, são sociais. Mas, mesmo se levarmos o julgamento para o quesito das belezas naturais, São Paulo se dá mundialmente muito bem por uma razão tecnicamente comprovada. Entre as maiores cidades do mundo, como Tóquio, Nova York e Cidade do México, em matéria de proximidade da beleza, São Paulo é, disparado, a melhor. Porque é a única que fica a apenas 45 minutos de vôo do Rio de Janeiro.

 


Washington Olivetto é paulista, paulistano e publicitário

 

 

~ por claudiamanhaes em 06/05/2008.

10 Respostas to “SÃO PAULO POR WASHINGTON OLIVETTO”

  1. O Rio é sim uma bela cidade o povo
    carioca é bom. Mas São Paulo é demais, dá orgulho de ser brasileiro por essas cidades:

  2. que lindo texto!!só um homem tão inteligente como voce para dizer tudo que eu sinto e não sei dizer!!eu tambem amo São Paulo

  3. [...] Leia o texto na íntegra, aqui (http://flanelapaulistana.com/?tag=washington-olivetto) ou aqui (http://claudiamanhaes.wordpress.com/2008/05/06/sao-paulo-por-washington-olivetto/) [...]

  4. Que São Paulo continue assim, absorvendo tudo e a todos que aqui aportam e se paulistanizam por necessidade ou por osmose. A cidade (como dizem os tangueiros porteños) é um crisol onde tudo se funde e se transforma, idiomas, sotaques, raças (raças?)e nacionalidades. Cidade de Juó Bananere, de Maguila, de Jânio Quadros (ops!), do Corinthians. Como diria o falecido Quinzinho, grande malandro, (saravá!), São Paulo não é mole, é uma cidade “rife” para chuchu!

  5. São Paulo minha querida cidade – Pode-se acordar às 3 da manhã e cismar de comer qualquer comida,de qualquer parte do mundo, da mais simples à mais elaborada – a gente encontra!
    São Paulo eu te amo!

  6. Amo SÃO PAULO de paixão,quero conhecer o RIO DE JANEIRO,ai vou fazer os meus comentários.
    Só falta a passagem….rsrsrsrs..

    Washington,um abraço!!!

    JORJÃO
    jorgeacecilio@hotmail.com

  7. Decobrir São Paulo
    É arrogância disfarçada
    Na ausência do relógio
    Na gota que cai intacta
    Na palavra somada ao silêncio noturno
    Na dascoberta da madrugada
    O dia acordando
    Na beleza secreta ardente
    É descobrir São Paulo

  8. Descobrir São Paulo
    É arrogância disfarçada
    Na ausência do relógio
    Na gota que cai intacta
    Na palavra somada ao silêncio noturno
    Na descoberta da madrugada
    O dia acordando
    Na beleza secreta ardente
    É descobrir São Paulo

  9. O texto do Washington Oliveto sobre São Paulo é belissimo. Até porquê Washington é a cara de São Paulo, É muito trabalhador e o empreendedorismo é sua marca e estas virtudes lhe valeram o sucesso que é a sua empresa.
    Creio que necessitamos de mais Washington’s Olivetos no Pais.
    Mais pessoas com este ímpeto e dinamismo. Gente que não fiquem esperando a “carroagem passar”. Ou melhor, que o “governo” fassa tudo por nós. E o tempo vai passando e nada muda!

    Um rarissimo paulistano da gema.

  10. Lindo!
    Só podia ter sido escrito por uma pessoa tão iluminada.

    Sou do interior de SP, onde o por do sol é igual ao colocado aqui, eu o chamo de céu lápis de cor.
    bjos

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